quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Biografia de Clementina de Jesus é lançada em Sorocaba

Jornal Cruzeiro do Sul - 22/02/2017

Biografia de Clementina de Jesus é lançada em Sorocaba - GOOGLE COMMONS

Dentro da programação de Carnaval da Prefeitura de Sorocaba, será lançada hoje, às 20h, uma biografia da cantora Clementina de Jesus, de autoria dos jornalistas Felipe Castro, Janaína Marquesini, Raquel Munhoz e Luana Costa, formados pela Universidade Metodista de São Paulo. O evento, que ocorre no clube 28 de Setembro (rua Machado de Assis, 112) com entrada gratuita, contará com show de Márcia Mah apresentando o repertório de Clementina. 
  
A biografia Quelé, a voz da cor percorre desde a infância pobre da artista em Valença, no interior do Rio de Janeiro, até o momento em que desponta para a carreira artística, já passados mais de 60 anos de vida. "Ela era neta de escravos, negra, empregada doméstica e lançada artisticamente aos 63 anos de idade. Mais do que isso, ela contrariava o padrão estético e até artístico que dominava sobre as cantoras brasileiras, a imensa maioria delas com canto suave, soprano, enquanto a Clementina tinha o canto contralto, voz rouca, forte, algo muito diferente, muito ancestral", conta Janaína. 
  
Com as pesquisas, os jornalistas descobriram que Clementina de Jesus cantava coisas que levava na memória, cantos que ela ouvia quando era garota. "Sabia de cor inúmeras cantigas de trabalho, curimas e lundus, cantos ancestrais que levava consigo", comenta Janaína. Os jornalistas também levantaram que, depois de famosa, Quelé cantou e gravou com alguns dos maiores artistas brasileiros: Cartola, Pixinguinha, Paulinho da Viola, Milton Nascimento, João Bosco, Clara Nunes e Martinho da Vila, entre tantos outros. "Isso tudo evidencia que a história de Clementina é riquíssima, ela enquanto mulher, negra, sambista, representa um Brasil profundo, um Brasil do povo que não é comumente representado nos veículos de comunicação." 
  
A descoberta 
  
"O momento de Clementina foi aquele, surpreendendo todo mundo, já uma pessoa com mais de 60 anos de idade, fazendo sucesso. Não conheço ninguém que tenha feito isso, mas o que gostaria mesmo é que Clementina tivesse sido descoberta há mais tempo". As palavras são do poeta Hermínio Bello de Carvalho, que lançou a cantora Clementina de Jesus, no espetáculo Rosa de ouro, em 1965. O produtor conta que, naquela época, encontrou Clementina cantando em uma taberna, em um momento de descontração. Até então, ela trabalhava como empregada doméstica de uma família no Rio de Janeiro. 
  
Guardiã e herdeira da cultura musical afro-brasileira, dona de uma voz potente, Clementina gravou 12 discos de sucesso nos tempos da bossa nova e o do iê-iê-iê. Esteve em programas de TV, rádios, fez show pelo País e fora dele. Na França, cantou no Festival de Cannes e, no Senegal, teve de voltar ao palco quatro vezes, muito aplaudida. O jornalista Sérgio Cabral, que testemunhou a cena, no Festival Internacional de Arte Negra, relembra que as pessoas queriam tocá-la. 
  
Filha da primeira geração de descendentes de africanos libertados da escravidão, Clementina desde pequena ouvia a mãe cantar saberes ancestrais da cultura banto enquanto lavava roupas. O pai, um grande violeiro e capoeirista, completava a formação musical da filha. 
  
Clementina, ou Quelé, apelido que ganhou na infância, cantou desde pequena, na igreja, em festas religiosas, onde chegou a treinar pastoras, na casa das tias do samba, já no Rio, e nos corsos que deram origem às escolas de samba. Foi portelense, antes de entrar na Mangueira para nunca mais sair, por causa do amor ao marido que lhe acompanhou por 30 anos. 
  
Este ano, 2017, a morte da cantora completa três décadas e em fevereiro, se viva, ela teria completado 116 anos. 
  
Todas essas histórias em mais detalhes sobre os bastidores do mundo do samba entre 1960 e 1987 são apresentadas no livro Quelé, a voz da cor - biografia de Clementina de Jesus. A pesquisa sobre a artista começou com um trabalho de conclusão de curso na faculdade e depois de muitas idas e vindas ao Rio -- um esforço de pesquisa que levou seis anos-- terminou em uma publicação de 363 páginas, incluindo vasta bibliografia e índice onomástico, pela editora Civilização Brasileira. 
  
"A turma que fez este trabalho não escreveu apenas uma biografia", diz, em um trecho da orelha do livro, o escritor e historiador Luiz Antonio Simas. "O que estas páginas apresentam é um relato fundamental para se contar a história da nossa música e dos saberes africanos redimensionados no Brasil", completa um dos principais estudiosos da cultura do samba. 
  
O acervo do jornalista e agora Secretário da Cultura de Sorocaba, Werinton Kermes (que inclusive tem um documentário sobre Clementina), foi uma das referências para o livro. "O lançamento do documentário do Werinton, marca, em nossa opinião, um processo de resgate da cultura popular por meio da memória de Clementina de Jesus em Sorocaba. Por conta disso, não poderíamos deixar de fazer um lançamento na cidade", reforça Janaína. 
  
Clementina de Jesus terminou a carreira aos 86 anos, depois das gravações de Cantos escravos, em 1982, junto com outros músicos. Apesar da fama, morreu pobre como tantos artistas negros importantes para à música brasileira, como Pinxiguinha e Heitor dos Prazeres. (Com informações da Agência de Notícias RMS e da Agência Brasil) 


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Quelé, a voz da cor: uma biografia de Clementina de Jesus

http://www.uai.com.br/app/noticia/artes-e-livros/2017/02/10/noticias-artes-e-livros,201609/quele-a-voz-da-cor-uma-biografia-de-clementina-de-jesus.shtml

por Ângela Faria





Clementina de Jesus frequentava as rodas da Portela e da Mangueira, mas só começou a carreira profissional com mais de 60 anos (foto: Carlos Piccino/Arquivo o cruzeiro/Em -29/9/69)


Iniciada como trabalho de conclusão de curso, pesquisa de quatro universitários reúne informações inéditas sobre uma das cantoras mais poderosas do Brasil

Foi ela quem despertou em João Bosco a africanidade, marca registrada da obra do cantor e compositor mineiro. Martinho da Vila é mestre do samba e do partido-alto graças a ela. Ao vê-la cantar no Teatro Opinião, no Rio de Janeiro, o jovem Milton Nascimento pirou: "Era a África na minha frente".

Neta de escravos, ex-empregada doméstica, mulher do povo, Clementina de Jesus não foi apenas o elo do Brasil do século 20 com a África ancestral. A cantora sempre será a voz dos milhões de negros “desfeitos no fazimento do Brasil”, como tão bem definiu o antropólogo e escritor Darcy Ribeiro. Para ele, vinha daquela artista “a poderosa voz anunciadora do brasileiro que, amanhã, se assumirá como povo mulato, mais africano que lusitano”.

E não é que quatro jovens universitários ouviram o chamado da “voz anunciadora” profetizada pelo professor? Seria apenas um trabalho de conclusão do curso de comunicação da Universidade Metodista de São Paulo, mas Clementina conquistou Felipe Castro, Janaína Marquesini, Luana Costa e Raquel Munhoz. Foi assim que a monografia virou livro – dos bons – assinado pelo quarteto. Quelé, a voz da cor – Biografia de Clementina de Jesus é mais do que oportuno. Chega no momento em que o Brasil questiona o próprio preconceito, escamoteado pelo mito da democracia racial.

DIAMANTINA Nascida em 1901 – data cravada pelos jovens biógrafos, que contestam a oficialização de 1902 como o ano em que Clementina veio ao mundo –, a neta de escravos que viviam em Minas Gerais era uma banto legítima. Amélia Laura e Paulo Baptista, pais dela, escaparam da escravidão devido à Lei do Ventre Livre. O casal se mudou para Valença, polo cafeeiro fluminense. Ela cuidava da casa, ele era pedreiro e carpinteiro. Clementina nasceu ali e aprendeu cantos de família – tesouros africanos.

Órfã de pai ainda pequena, mudou-se com a mãe para o Rio de Janeiro, onde lhe deram o apelido de Quelé. Clementina de Jesus se tornou cantora já sexagenária, descoberta pelo produtor cultural e compositor Hermínio Bello de Carvalho, em 1964, no bar carioca Taberna da Glória. Fez sucesso no Festival de Cannes (ganhou até flores de Sophia Loren), apresentou-se na África, onde foi ovacionada num estádio de futebol ao entoar suas curimas. No Brasil, era a estrela do show Rosa de ouro, resgate pós-bossa nova das tradições do samba. Era acompanhada pelo grupo Cinco Crioulos – Anescarzinho do Salgueiro, Elton Medeiros, Paulinho da Viola, Jair do Cavaquinho e Nelson Sargento. César Faria, pai de Paulinho, também se apresentava com ela – sabia como poucos acompanhar os tons daquela cantora ímpar, desacostumada com instrumentos de corda.

A partir da década de 1970, gravou com Milton Nascimento (em faixa censurada do disco Milagre dos peixes e no álbum Gerais), ganhou de Caetano Veloso Marinheiro só, e deslumbrou o percussionista pernambucano Naná Vasconcelos. Como destacam os biógrafos, estava ali a muluduri, encarregada de transmitir e perpetuar cantos ancestrais de matriz africana. Mestra da oralidade e do improviso.
CORPO FECHADO Porém, elo com a mãe África é pouco para definir Clementina. Os biógrafos informam que ela participou de cortejos de pastorinhas, conviveu com os fundadores da Portela, frequentou jongos. Católica fervorosa, sabia cantos de candomblé. “Tem muita macumba bonita”, dizia a devota de Nossa Senhora da Conceição e de Nossa Senhora da Glória. Corpo fechado, trazia a cruz “cravada” na pele do peito. Quelé frequentou a lendária casa de Tia Ciata, berço do samba carioca, assim como a mítica Praça Onze. Era amiga de Heitor dos Prazeres e de Paulo da Portela.

Na Mangueira, conheceu o amor de sua vida: Albino Pé Grande, com quem dividiu o teto de 1940 a 1977. Ela e Clotilde, mulher de Carlos Cachaça, eram craques no partido-alto – na época, aquilo não era coisa de mulher.
Quando Hermínio Bello de Carvalho (uma espécie de “voz guia” desta biografia) a encontrou, tinha diante de si o que o maestro Francisco Mignone batizou de “fenômeno telúrico exclusivamente brasileiro”. E bota energia telúrica nisso. O compositor e pesquisador Elton Medeiros contou aos biógrafos que a poderosa reza de Quelé, com palavras estranhas, era capaz de curar suas fortes dores de cabeça. Paulinho da Viola revelou: ao ouvi-la cantar, pessoas entravam em transe durante os shows.

MÃE SOLTEIRA As jovens militantes negras empoderadas deste século 21 vão encontrar aqui uma guerreira. Mãe solteira aos 20 e poucos anos, a moradora de bairros pobres do subúrbio criou a primogênita Laís sem o pai. Deu duro como doméstica, teve outra filha, Olga, já casada com Albino. Quando ele ficou desempregado, segurou a barra. Aliás, sempre viveu com o dinheiro contadíssimo. Num dia, hospedada em hotel chique em Paris; no outro, dando duro para fechar as contas no Engenho Novo.

Quelé, a voz da cor... mostra que a grande artista não escapou da sina do brasileiro pobre: custou a ter telefone em casa, sustentou o marido doente por vários anos, bancou a filha Olga e os netos. A aposentadoria minguada se juntava a cachês cada vez mais raros no fim da vida. É triste acompanhar os últimos anos da Rainha Quelé. Octogenária, lutava para pôr feijão e remédio em casa em meio a sucessivos derrames e isquemias. Fazia shows, apesar de a cabeça falhar e de esquecer as letras.

Clementina recebeu muitos tributos. O jornalista Artur da Távola atacou a forma como oportunistas se apropriavam de sua imagem. “Clementina é importante por ser uma deusa do Brasil real. Para o Brasil oficial, ela é comemorada como raridade folclórica, espécie de mito que serve aos propósitos propagandísticos ou justificadores da aparente paz social. Mas, para o Brasil real, ela é a própria capacidade de sobreviver do povo”, escreveu ele em O Globo.

MUNICIPAL Em 1983, Darcy Ribeiro, secretário de Cultura do governo fluminense, comprou briga por causa de Quelé. Decidiu homenageá-la com um show no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, reunindo no palco Gilberto Gil, Nelson Cavaquinho, Beth Carvalho, João Nogueira, Paulinho da Viola, a ala das baianas e a bateria da Estação Primeira da Mangueira. Foi atacado, acusado de pôr sob risco o templo da música erudita, cuja acústica seria mais apropriada para espetáculos de dança, ópera e concerto.

Mineiro obstinado, Darcy venceu a parada. E contou, em sua autobiografia: “Ela, do palco, vestida como uma rainha, beliscava os braços e gritava: ‘É verdade, professor! Não estou sonhando!’”. E completou: “Frequentadores habituais do teatro se danaram, apoiados pela imprensa, contra a ousadia de levar uma cantora negra, pobre e favelada para cantar no seu reduto elitista. Esses idiotas se esbaldavam quando o teatro se abria para qualquer cantorzinho francês. Alienados.”

Em 1987, Clementina morreu no Rio de Janeiro, depois de sofrer o quinto derrame. Apenas 200 pessoas assinaram o livro de presença no velório, realizado no Teatro João Caetano. Entre os poucos famosos estavam Paulinho da Viola, Elymar Santos e Xangô da Mangueira. Porém, gente simples – transeuntes, cobradores e motoristas de ônibus – foi até lá lhe dar adeus. O enterro, no Cemitério São João Batista, reuniu menos gente ainda: 50 cidadãos.

Xangô da Mangueira revelou aos biógrafos um episódio que mostra bem a raça de Quelé. Enquanto andava na zona meretrícia paulistana, onde se hospedara, a dupla foi abordada por um policial. Durante a batida, a velha senhora começou a dançar. E avisou ao moço: “Sou Clementina de Jesus, meu filho. Meu documento está no pé”.





Leia entrevista com a autora Janaína Marquesini


A pesquisa sobre a vida de Clementina durou seis anos. O que foi mais difícil nesse projeto?
A principal dificuldade foi o abismo que havia entre o nascimento de Clementina e a estreia dela como cantora profissional: mais de 60 anos, sem uma única menção em jornais e revistas, que são normalmente o ponto de partida de um trabalho biográfico como esse. O que nos deu mais trabalho foi resgatar sua infância e associar ao que ela dizia em entrevistas. Variamos muito nosso trabalho, fomos atrás de depoimentos gravados no Museu da Imagem e do Som (MIS) e na Funarte. Fizemos entrevistas com pessoas que conviveram com ela nesse período, gente do samba e vizinhos. Também usamos uma bibliografia enorme para poder preencher o vácuo. Acho que conseguimos fazer isso com sucesso. Uma descoberta legal é que Clementina entoa canções de seus próprios ancestrais em O canto dos escravos. Outra coisa: embora não fosse compositora, mas intérprete, Clementina, podemos dizer, era, sim, compositora popular – isso foi algo em que nos aprofundamos. Por exemplo: contamos que ela era ativa no mundo do carnaval nos anos 1920, 1930, 1940, ora como diretora da escola Unidos do Riachuelo, ora participando de alguns momentos nos primeiros anos da Portela, ora se transformando em figura assídua da Mangueira. Encontramos pelo menos dois casos de músicas há muito tempo esquecidas que ela gravou, fazendo releituras de forma intuitiva, espontânea. Pegou canções que ouvia “de orelhada”, muitas décadas antes, e gravava de um jeito diferente, com letras algumas vezes diferentes também. A riqueza de patrimônio imaterial dela é um dos aspectos mais intrigantes de sua carreira.

O que você aprendeu com ela?
A imagem de Clementina traz de imediato um impacto estonteante, é a essência do nosso povo. Isso ensina muito. É como se ela nos colocasse diante da formação do brasileiro. O que mais me marca pessoalmente é o poder da resistência dessa cultura, que, por meio da oralidade, chegou até os dias de hoje, apesar de toda a repressão e violência vividas pelos negros em séculos de história do Brasil. Clementina foi exemplo vivo disso, com sua memória prodigiosa e sensibilidade para captar os ritmos e as coisas mais belas do nosso povo. Aos 63 anos, como magnífica obra do destino, ela teve a oportunidade de transbordar essa riqueza com seu canto. Todo esse conhecimento nos serviu de prova de que a África é a espinha dorsal da nossa cultura, como disse Naná Vasconcelos certa vez. A existência de Quelé foi uma dádiva a todos nós, brasileiros.

Como Clementina dialoga com o Brasil de hoje?
Tenho a sensação de que Clementina veio ao mundo para mostrar a todos nós a grande importância de nossas raízes, de nossa identidade e da formação cultural do nosso país, construído por mãos negras. Nosso livro dialoga com o Brasil do século 21 por esses motivos e tenho certeza de que esse diálogo nunca terá fim. Nunca é tarde para que o brasileiro, enfim, reconheça e valorize nossa cultura popular tão rica e intrínseca à nossa identidade como povo. Entender o passado e a nossa história é fundamental para entender o presente e desvendar o futuro. Seria fantástico se a moçada de hoje ganhasse essa consciência. Negros, mestiços, brancos, não importa. Quem é branco, por exemplo, mesmo não tendo hoje nenhuma culpa do nosso terrível passado escravagista, deve assumir a consciência de que nos beneficiamos desse passado de escravidão até hoje. Nada que façamos poderá reverter essa crueldade histórica. O que resta a todos nós é, pelo menos, cuidar da cultura herdada pelo povo que construiu e fez o Brasil.

Clementina morreu pobre, trabalhou até quase os 90 anos, já esquecendo as letras. Apesar de tanto enaltecerem a Rainha Quelé, havia pouquíssimas pessoas no enterro dela. Clementina foi esquecida por seu povo?
Sim. Tanto é que ela terminou a carreira se apresentando em churrascarias. Foi posta no ostracismo pela indústria cultural nos últimos cinco anos de carreira, no mínimo. Esquecida pelo povo eu não digo, pois o povo lhe deu o valor que merecia, inclusive indo ao velório e ao enterro dela, em 1987. Hermínio Bello de Carvalho, seu descobridor, disse o seguinte quando ela morreu: “Clementina de Jesus é um exemplo dessa ótica vesga e preconceituosa, que a tratava apenas como a preta velha alforriada pelos brancos bondosos que a encarceraram numa senzala menos desconfortável. Ela foi humilhada até o fim da vida por não se submeter às conveniências mercadológicas das gravadoras”. É isso. Ela não se submeteu ao jogo vil das gravadoras e da indústria cultural. Morreu pobre, longe dos estúdios.

O livro conta que os avós dela eram escravos em Minas. O estado faz parte de Clementina, não é?
Essa história é uma das mais marcantes do livro e nos ensina muito sobre o passado escravagista brasileiro. Quando falamos de Clementina de Jesus no disco O canto dos escravos, levantamos a hipótese de que ela teria gravado as cantigas de seus próprios ancestrais diretos. Isso porque o livro de Aires da Mata Machado Filho fala de um notável senhor de escravos chamado Felipe Mina, dono de mão de obra negra na região de Diamantina. De acordo com Clementina, sua avó paterna veio exatamente dali e se chamava Tereza Mina. Como os sobrenomes eram transmitidos do senhor aos escravos, Tereza pode ter sido escravizada na propriedade de Felipe. Além disso, temos indícios de uma grande população que migrou ao fim da era do garimpo, deixando aquela região de Minas para buscar trabalho nas lavouras de café no Sul fluminense, onde fica Valença, onde Clementina acabou nascendo. As informações todas batem. Ou seja: o que já seria por si só muito simbólico – uma das maiores representantes da cultura afro-brasileira interpretando cantos de escravos em um álbum – ficou ainda mais interessante com o novo elemento genealógico que levantamos. Essa é a importância de Minas para Clementina: ancestral.

Para comprovar isso, ela era ligada a Milton Nascimento...
Contamos os detalhes de um festival de que ela participou a convite de Milton Nascimento, em Três Pontas, em 1977, conhecido como “Woodstock mineiro”. Estavam lá Fafá de Belém, Chico Buarque e outros artistas, mas ela foi considerada o grande destaque do evento. Sem contar a própria relação de Clementina com Milton Nascimento, esse grande músico mineiro de quem sou completamente fã. Os dois se gostavam muito, Bituca chegou até a escrever o texto de encarte de um dos discos de Quelé, o Clementina de Jesus – convidado especial: Carlos Cachaça, lançado em 1976.



QUELÉ – A VOZ DA COR: BIOGRAFIA DE CLEMENTINA DE JESUS
De Felipe Castro, Janaína Marquesini, Luana Costa e Raquel Munhoz
Civilização Brasileira
384 páginas
R$ 49,90

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Mostra de cinema 'O Samba Pede Passagem' acontece na Caixa Cultural

https://catracalivre.com.br/rio/agenda/barato/mostra-de-cinema-o-samba-pede-passagem-acontece-na-caixa-cultural/


História do samba é contada através de 40 filmes

Filmes contam a história do samba


Dezembro é o mês do samba e já começa com a mostra de cinema "O Samba Pede Passagem" na Caixa Cultural. Entre os dias 1º e 13 de dezembro de 2015, o centro cultural exibe 40 filmes que contam a história do gênero musical. As sessões acontecem a partir das 16h e os ingressos custam R$4 com direito a meia-entrada.

Os capítulos da formação do samba são contados através de curtas, longas, documentários e ficção. Clássicos como “Alô, Alô, Carnaval” (1936), “Rio, zona norte” (1957) e “Couro de Gato” (1960) estão na programação. Além de documentários musicais mais recentes como "Paulinho da Viola – meu tempo é hoje" (2003), "Cartola, música para os olhos" (2006) e "Clementina de Jesus – Rainha Quelé" (2011).

A mostra busca entender o valor do samba na constituição da identidade do povo brasileiro. E, por isso, também conta com debates e oficinas. A programação completa encontra-se neste link.


04 DE DEZEMBRO (sexta)
Cinema 2
16h
Clementina de Jesus - Rainha Quelé (Direção Werinton Kermes, Roteiro: Míriam Cris Carlos; 2011) - 56 minutos

10 DE DEZEMBRO (quinta)
Cinema 2
18h15
Clementina de Jesus - Rainha Quelé (Werinton Kermes, 2011) - 56 minutos



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Portela: Cine Samba Candeia vai homenagear Clementina de Jesus

Redação SRZD

No próximo sábado, 19, na edição do Cine Samba Candeia, haverá exibição, na quadra da Portela, do filme "Clementina de Jesus - a rainha Quelé", documentário dirigido por Werinton Kermes, lançado em 2012 para homenagear a cantora com timbre de voz inconfundível que morreu em 1987, aos 86 anos. A iniciativa do departamento cultural da escola é resgatar para o público um pouco das origens portelenses de Clementina.

Após a exibição do filme, marcada para 18h, haverá canja musical reunindo as pastoras da Velha Guarda Show da Portela, a neta de Clementina, Vera de Jesus, e o músico e compositor Serginho Procópio, presidente da azul e branco. A quadra da Portela fica na Rua Clara Nunes, 81, em Madureira. A entrada é grátis.


http://www.sidneyrezende.com/noticia/254897+portela+cine+samba+candeia+vai+homenagear+clementina+de+jesus

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Portela: Cine Samba Candeia vai homenagear Clementina de Jesus

http://www.carnavalesco.com.br/noticia/portela-cine-samba-candeia-vai-homenagear-clementina-de-jesus/14075

16/09/2015



No próximo sábado, 19, na edição do Cine Samba Candeia, haverá exibição, na quadra da Portela, do filme “Clementina de Jesus – a rainha Quelé”, documentário dirigido por Werinton Kermes, lançado em 2012 para homenagear a cantora com timbre de voz inconfundível que morreu em 1987, aos 86 anos. A iniciativa do departamento cultural da escola é resgatar para o público um pouco das origens portelenses de Clementina.

Após a exibição do filme, marcada para 18h, haverá canja musical reunindo as pastoras da Velha Guarda Show da Portela, a neta de Clementina, Vera de Jesus, e o músico e compositor Serginho Procópio, presidente da azul e branco.

A quadra da Portela fica na Rua Clara Nunes, 81, em Madureira. A entrada é grátis.

sábado, 25 de julho de 2015

Luta e cultura da mulher negra são celebradas hoje

25/07/2015
Eventos na Zona Norte abrem espaço para debate sobre o temaKARINA MAIA


Rio - “Todos viemos de uma barriga negra”, diz uma das idealizadoras da Feira Crespa, na Pavuna, Elaine Rosa. Por isso, a data de hoje, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, é tão importante quanto a comemorada em 8 de março (Dia Internacional da Mulher). Mas ela não está sozinha nessa luta. Homens, como o produtor do Sarau da Lona, Thiago de Paula, também estão nessa. Tanto que, em ambos os eventos, que acontecem desta manhã até a noite, a cultura feminina negra é a grande estrela.

“A mulher ainda é vista como inferior, por conta da sociedade em que vivemos. Na população negra, a coisa se agrava três vezes mais”, diz Elaine, enquanto prepara os últimos retoques para a Feira Crespa abrir suas portas hoje, das 15h às 21h30, na Arena Jovelina Pérola Negra. Por lá, a programação gira em torno de tudo que enaltece a beleza afro. “A estética vai atrair a mulher para entender uma série de coisas que estão por trás disso”, acredita Elaine.

"O cabelo é muito importante para a mulher. O crespo é um resgate da nossa ancestralidade”, emenda ela, explicando a escolha do nome do evento. Na Lona Cultural Municipal Terra, em Guadalupe, no Sarau, as principais iscas para o público são as manifestações culturais. “Em tempos de intolerância, qualquer oportunidade de homenagear a mulher negra precisa ser abraçada”, acredita Thiago, listando as atrações de hoje: “Vai ter o pessoal do afoxé, exibição do filme ‘Clementina de Jesus: Rainha Quelé’, gastronomia rastafári, a Cia. Raiz Dança Afro-Brasileira...”

Mas, além de beleza e lazer, os dois eventos também têm hora para falar mais sério. No Sarau, por exemplo, a diretora de escola e professora de arte Julia Dutra contará sua trajetória como transexual negra. “Me sinto muito mais discriminada por ser negra do que por ser trans”, conta ela, que defende a educação como o melhor caminho para a causa. “Tem que começar da base, mostrar para as crianças o diferente, pois há várias possibilidades de seres humanos.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

NOITE PARA CLEMENTINA: Transformando Quelé, no Teatro Solar B Vista em Salvador /BA

Bahia já

Ascom Cultura 
Salvador






Tributo chega a sua terceira edição e abre a Semana da Mulher Negra, com Juliana Ribeiro, Grupo Barlavento e convidados


O Cine Teatro Solar Boa Vista será mais uma vez palco da noite em homenagem a Clementina de Jesus. Dia 19 de julho, a partir das 18h30, Juliana Ribeiro e Grupo Barlavento serão os anfitriões da festa que terá exibição do filme de Werinton Kermes e Míriam Cris Carlos (Rainha Quelé), muitos artistas do samba baiano e performances transformistas para saudar a Diva em seu 27º aniversário de morte. O evento calendarizado abre a Semana da Mulher Negra promovida pelo espaço cultural da Secretaria de Cultura da Bahia, situado no Engenho Velho de Brotas.

A noite de sábado no Solar Boa Vista será iniciada com a exibição do filme Rainha Quelé, que tem a participação de grandes nomes da música brasileira como Martinho da Vila, Leci Brandão e Paulinho da Viola. Em seguida, o Grupo Barlavento sobe ao palco para apresentar os sambas de roda do seu mais novo show, Mariscada na Roda, e recebe Juliana Ribeiro para cantarem juntos clássicos do repertório de Clementina.

Juliana pega o bastão de ouro e segue convidando outros artistas para cantarem em homenagem à vida e obra de Quelé. A cantora e pesquisadora, que assina a direção artística do evento em sua terceira edição, convida também ao palco três artistas transformistas para performances surpreendentes e aposta na inovação para perpetuar as tradições. “A beleza de Clementina está em sua capacidade de trazer a ancestralidade da canção afro-brasileira para a contemporaneidade e continuar emocionando nos dias atuais”, enfatiza a idealizadora do tributo.

Transformando Quelé promete ser uma noite multiartística com muito samba, corimas, jongos, pontos, cinema, performances e encontros memoráveis. Juliana e Barlavento dividem o palco com Grupo Botequim, Walmir Lima, Mazzo Guimarães, Luciano Bahia, Sambatrônica, Edil Pacheco, Vércia Gonçalves, Carlos Barros, Lia Chaves, Rita Bráz, Glória Terra, Chita Fina, Marília e Sueli Sodré, Tonho Matéria e Grupo Tapuia. Além dos artistas transformistas Valerie O’ hara, Fera Sunshine e Afonso Oliveira.


SERVIÇO

“NOITE PARA CLEMENTINA: TRANS FORMANDO QUELÉ” Homenagem aos 27 anos de morte de Clementina de Jesus Quando: 19 de julho de 2014 Onde: Cine Teatro Solar Boa Vista (Engenho Velho de Brotas) Entrada: Gratuita (os artistas estrão recebendo a doação voluntária de 2 pacotes de leite em pó para ajudar o Projeto Salvador, instituição beneficente situada na Estrada de São Lázaro)


PROGRAMAÇÃO

18h30 - Filme Rainha Quelé, do diretor paulista Werinton Kermes;

19h30 – Mariscada na Roda (Samba de roda);

20h30 - Juliana Ribeiro, Grupo Barlavento, Performances Trans e Convidados.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Rainha Quelé em cartaz no Santander Cultural - Porto Alegre

O documentário Clementina de Jesus - Rainha Quelé entrará em Cartaz no Cinema Santander Cultural em Porto Alegre/ RS. 
Os ingressos podem ser obtidos pelo site:

Imagem do Evento

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Categoria: Cinema
Gênero: Clássico
Local: Cinema Santander Cultural
Cidade: Porto Alegre/RS
País: Brasil
Endereço: Rua Sete de Setembro, 1028 - Centro Histórico



Clementina de Jesus - Rainha Quelé


O documentário é uma homenagem à cantora Clementina de Jesus, também chamada de Rainha Quelé. Com participação de Martinho da Vila, Paulinho da Viola, João Bosco, Cristina Buarque, Leci Brandão, Paula Lima e Grupo Fundo de Quintal.

Classificação: Livre.

Meia Entrada: Senior e Estudante mediante apresentação de documento que comprove o beneficio.

Ponto de Venda sem Taxa de Conveniência: Santander Cultural = Rua Sete de Setembro, 1028, Centro Histórico, Porto Alegre RS Brasil
Horário de funcionamento: Ter a sábado, das 10h às 19h E Domingos e feriados, das 13h às 19h


O Santander Cultural é o centro cultural brasileiro mantido pelo Banco Santander em um prédio histórico de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Localiza-se na Praça da Alfândega. O prédio possui aproximadamente 5.600 m² de área construída e é tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual, fazendo parte de um conjunto arquitetônico precioso do Centro que, com o estabelecimento do centro cultural, ganhou mais um grande impulso de revitalização.

domingo, 15 de dezembro de 2013

"Retrospectiva do Cinema Brasileiro" exibe Clementina de Jesus Rainha Quelé

SESC CineSesc

A 14ª edição da Retrospectiva reúne longas-metragens lançados entre novembro de 2012 e outubro de 2013

Na mostra, que conta com 112 longas-metragens, será possível assistir aos sucessos de bilheteria, ficções, documentários e filmes infantis. Uma oportunidade ímpar para os espectadores verem e reverem a produção cinematográfica nacional lançada no último ano.


15/12 às   15h

Clementina de Jesus – Rainha Quelé

 SESC CineSesc

 (Direção Werinton Kermes. Brasil, 2012, 56’. Documentário)
Documentário com material de arquivo e depoimentos ,  sobre a cantora Clementina de Jesus que dividiu o palco com Cartola, Paulinho da Viola, João Bosco, Alceu Valença, Pixinguinha e muitos outros. Neta de escravos, trabalhou por 20 anos como empregada doméstica e foi descoberta pelo poeta Herminio Bello de Carvalho, iniciando sua carreira artística aos 63 anos. Muito apreciada pelos artistas e a crítica, não foi -injustamente - grande sucesso em vendas de discos, mas um talento inconfundível.

http://www.sescsp.org.br/programacao/17971_RETROSPECTIVA+DO+CINEMA+BRASILEIRO#/content=programacao 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Atividades culturais no Rio marcam comemorações do Dia da Consciência Negra

 
  



   

Alana Gandra - Agência Brasil


Rio de Janeiro - O Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap) promove hoje (20), Dia da Consciência Negra, uma exposição de cultura afro-brasileira, na casa de espetáculos Imperator, no Méier, zona norte da capital. O Brasil Black, em sua segunda edição, terá atividades, lançamento de livros, feira de afroempreendedores e uma sessão de exibição do documentário Raça, que trata da igualdade racial, de autoria do cineasta Joel Zito.
A partir das 16h30, no painel Heranças, serão debatidos temas ligados à influência da cultura e da religião negras no Brasil, à luta contra o racismo, aos heróis negros e à importância da Lei 10.639/2003, que instituiu o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira nas escolas.
Vera Dayse Barcellos, Renato Nogueira, Gimes Rodrigues Filho, Roberta Fusconi e Cristiane Coppe de Oliveira são os autores que lançarão livros durante o evento. De acordo com informação do conselheiro estratégico do Ceap, babalaô Ivanir dos Santos, o objetivo é “fomentar a leitura sobre a verdadeira história da participação da população negra na construção do Brasil, além de dar visibilidade aos trabalhos de autores que pesquisam sobre o tema”.
Como parte das comemorações do Dia da Consciência Negra, o Cineclube Henfil de Maricá, município da Baixada Litorânea do Rio, exibirá o documentário Rainha Quelé, de 2011. Dirigido pelo cineasta Werinton Kermes, o filme aborda a história da sambista Clementina de Jesus, chamada de Quelé pelos amigos. Empregada doméstica durante 20 anos, Clementina começou a cantar profissionalmente só aos 62 anos, depois de ter sido descoberta pelo pesquisador de música popular brasileira (MPB) Hermínio Bello de Carvalho, em 1963, quando se apresentava em bares cariocas.
Clementina dividiu palcos com Pixinguinha, Paulinho da Viola e João Bosco, entre outros cantores e compositores nacionais de renome. O Cineclube Henfil é um projeto da secretaria municipal de Cultura de Maricá. O evento é gratuito. Haverá distribuição de senhas 30 minutos antes da sessão, programada para as 19h.
As comemorações do Dia da Consciência Negra prosseguirão no próximo dia 26, quando a Ceap promoverá o seminário Experiências Afro-Brasileiras na Gestão Pública, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no centro da cidade, às 13h30. Na ocasião, será feito o lançamento do livro Os Afro-Brasileiros na Gestão Pública. Participarão do evento, negros que ocuparam cargos importantes no cenário político brasileiro, que relatarão como construíram seus trabalhos, informou Ivanir dos Santos.
Edição: Marcos Chagas

 http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/11/atividades-culturais-no-rio-marcam-comemoracoes-do-dia-da-consciencia-negra
20.11.2013 - 11h35 | Atualizado em 20.11.2013 - 12h02